QUARTA-FEIRA, 03 DE DEZEMBRO DE 2003 L5

Orchestra Morphine
The Fillmore, 17 de Maio de 2000

 

Quando entrámos a sala ainda estava vazia. Sentámo-nos no chão a ver um tipo que tocava algo parecido com um bandolim (Jimmy Ryan) e outro que tocava violino. Surpreendente ver um tipo a usar os pedais de efeitos de guitarra no violino... Mas mais uma vez a música roçava o country, mas com algumas pitadas de rock pelo meio.

Às 9h entraram os nove elementos que compõem a banda que anda a promover o novo disco dos Morphine e que já não conta com a participação de Mark Sandman, porque este morreu em plena actuação em Itália no ano passado. Ao centro estava Dana Colley, o saxofonista e por detrás dele estava Billy Conway o baterista dos Morphine... O resto da banda era formada por um rapaz novo que tocava baixo e que se escondia atrás dos outros, um percorsionista que tinha ar de quem andou na guerra do biafra, um outro saxofonista que devia ser primo do

Orchestra Morphine - Fotografia de Origem Desconhecida

Maestro Vitorino de Almeida ou do Eistein, pelo corte de cabelo, um teclista que apesar de não se mostrar muito, fazia-se sentir, um trompetista com ar de quem vai a rodeos e pasta vacas enquanto fuma um Marlboro, uma vocalista feminina acabadinha de sair de uma bar de segunda e um vocalista masculino que pertencia à banda que tocou na primeira parte. Podem ver mais em http://www.morphine3.com/night/om.html.

A primeira coisa que Dona disse foi que o concerto era dedicado à memória do Mark Sandman e que nos queria mais perto do palco. De repente estava a dois passos do palco e a dançar ao som dos Morphine.

Na terceira música, Dona sai-se com a frase da noite - "I think we have time for one more song"... Durante 1h30m, tocaram umas músicas a seguir às outras e passaram o último álbum todo em modo live. Último álbum que me foi oferecido pela minha amiga virtual Natália, mas que ainda não ouvi, porque está em Portugal.

A banda agradeceu e fez uma vénia ao público, mas não chegou a sair porque segundo Dona, "I think we have time for one more song" e seguiu-se um encore com quase três quartos de hora em que havia sempre tempo para mais uma... E acabaram com "Sharks patrol these waters".

O novo álbum, é aparentemente um álbum dos Morphine... Pois foi isso que eu vi ali durante quase 2h15m. Mas, é estranho ouvir a música dos Morphine e quando se está à espera de ouvir a voz rouca do Mark Sandman, ouvir-se a voz de uma tipa esganiçada que tem o perfil ideal para nunca deixar de cantar em bares de segunda. Pronto, ela nem era tão má... Mas o Dona cantava melhor e mais parecido com o Mark. E o outro vocalista masculino era também muito mais próximo...

Os Morphine sem o Mark Sandman nunca serão os mesmos, isso é certo... Ainda bem que eles também compreendem isso e souberam mudar o nome da banda para esta tournée... Pelo menos não são acusados de burla. Embora ache que não há necessidade de serem acusados, porque são mesmo os Morphine que se ouve ali... Pelo menos em termos instrumentais foi um concerto excelente e há muito que não via um concerto tão longo e que parecesse tão curto...

Foi bom! Vai ser difícil não confundir estes dois bons concertos dos últimos dois dias.



Com.Certos: Página L1 Col. 1